Exposição Obsolescência – Marta Facco

Dando continuidade à mostra de exposições contempladas pelo Concurso Artístico de Seleção de Projetos para Ocupação Artística da Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho de 2026, através do Edital 002/2025, apresentamos nossa terceira exposição.

Obsolescência, da artista Marta Facco, nasce da observação demorada sob os descartes das coisas da casa. Objetos, móveis, fragmentos, superfícies marcadas pelo uso — coisas que ainda existem, mas já não ocupam o centro da vida. Permanecem suspensas no tempo, entre a função e o desaparecimento, passando a habitar zonas de esquecimento.


Na lógica contemporânea, a obsolescência é programada, acelerada e silenciosa. Os objetos tornam-se substituíveis antes mesmo de se deteriorarem completamente. No entanto, aquilo que perde utilidade não perde necessariamente presença. Ao deslocar esses elementos para o campo da pintura, a artista interrompe o ciclo automático do descarte e reinscreve o objeto em outro regime de permanência: o da imagem.

Há uma correspondência inquietante entre o destino das coisas e a superficialidade das relações humanas na vida contemporânea. Vínculos também se tornam frágeis, intermitentes, provisórios. O que ontem era necessário hoje pode ser excedente. O que ontem ocupava o centro passa à margem. A obsolescência infiltra-se nos afetos.


As pinturas apresentadas não ilustram somente os objetos; elas os atravessam. A matéria pictórica acumula camadas, veladuras, apagamentos. A superfície revela desgaste, saturação, falha. A imagem parece resistir ao próprio desaparecimento. O que está em jogo não é apenas a forma do objeto, mas seu estado: algo que ainda é, mas já começa a deixar de ser.


A pintura, em sua lentidão e densidade, tensiona também sua própria condição histórica. Em um tempo de imagens instantâneas e circulação acelerada, ela insiste no tempo do fazer, no acúmulo, na permanência física. Aquilo que poderia ser considerado obsoleto reaparece como resistência.


Obsolescência não trata apenas do fim das coisas. Trata do instante anterior ao fim — quando algo ainda ocupa espaço, mas já perdeu centralidade. Esse intervalo, quase imperceptível, é ampliado pela pintura. O que seria descartado torna-se imagem. O que perderia função adquire presença.


No espaço expositivo, as obras instauram um ambiente de suspensão. Objetos deslocados de sua utilidade reaparecem como vestígios. O espectador encontra não apenas restos, mas camadas de tempo e significados. A obsolescência deixa de ser apenas destino e passa a ser estado: uma condição ompartilhada entre matéria, memória e afeto.

Serviço

🗓️De 20 de agosto a 3 de setembro de 2026

🗓️🕰️Cerimônia de abertura: quinta-feira, 20 de agosto, 19h

Contará com bebidas e canapés 🥤🍷🥟🫒🥐🍤

🕰️Exposição aberta de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h

📍Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho – Rua Dr. Jorge Luz Fontes, 310 – Centro, Florianópolis – SC – Palácio Barriga-Verde