QUARANTINE – Sérgio Canfield

“Temos a arte para não morrer da verdade”

Friedrich Nietzsche

Goya e suas “pinturas negras”; Picasso, com “Guernica”; Munch, “Criança doente”; Jacques-Louis David e a “Morte de Marat”; Klimt, “A vida e a morte”; Portinari, “Criança morta”… As referências são infindas. Já as presentes doze obras, de Sérgio Canfield, buscam expressar bem mais que doze moléstias… Pensadas. Elaboradas. Sofridas. O Código Internacional de Doenças- CDI cataloga todas as mazelas (conhecidas até o momento) que afligem o ser humano. O artista vale-se da quarentena para interiorizar, questionar, expor parte desses estigmas, buscando relacionar as imagens com os sentimentos de perda causados por diagnósticos com maus prognósticos.

A partir do estruturalismo de Ferdinand de Saussure, que influenciou os trabalhos de Claude Lévi-Strauss, Roland Barthes, Jean Baudrillard e Jacques Lacan, o artista apropria-se, na Linguística, do método da repetibilidade (no seu caso, das formas plásticas), exprimindo e expondo o inconsciente. Faz aflorar os sentimentos de medo, desespero, dúvida, finitude, estupor, estupefação…

Se o conteúdo é inspirado pela quarentena, que remete nossa cultura a períodos da história em que o ser deparou-se com diferentes pandemias, a forma vem sendo trabalhada desde a exposição Apofenia, de 2008, numa pintura nervosa, expressionista, onde o que vale é a sensação, no presente caso, de exasperação.

Quando as liberdades individuais estão em jogo, nesta guerra sorrateira, a expressão artística, que no presente caso vale-se do subconsciente do artista, também médico, podem levar a pensar a possível saída… Ou não.

Inacio Carreira